Assim
como Jesus Cristo não era Cristão, Karl Marx também não era Marxista. Explicar a
sociedade e as subjetividades do indivíduo através de uma postura para daí
chamá-la face, identidade de um ser é “reduzi-la a simples aceitação de uma
coação” (FURTER, 1987). O homem não é apenas determinação de uma economia ou de
uma espiritualidade.
Em
critérios de sociologia precisamos estar atentos às ações coletivas e aos
determinantes destes grupos, como no caso das regras e dos padrões culturais,
religiosos, etc. Porém, atualmente, precisamos identificar a postura de um
indivíduo dinâmico na máquina social. Daí há precisamente no objeto de estudo
da sociologia a interação deste sujeito com o outro e com esse comportamento de
coação, nivelador do ser coletivo que se depara coma temporalidade e
regionalidade das razões assim expressadas, “um ser único coagido numa dimensão
temporal, circunstancial” – (FURTER, 1987, p. 14).
No
contexto universitário uma planificação de programas e metas de ações para o
outro (planejamento dos gestores para comunidade acadêmica) visa o
desenvolvimento eficiente desta IES (Instituição de Ensino Superior) que, por
sua vez, necessita de intervenção constante do outro. E é este “outro” o fator
determinante na busca de um melhor desenvolvimento do complexo institucional.
(veja Educação e Reflexão). Por isso a participação da comunidade deverá
alcançar padrões verdadeiramente coletivos onde o papel da intersubjetividade e
da comunicação alcance uma demanda temporal, isto é, o poder de visão e
previsão dos fatos a partir do individuo.
Nesta
perspectiva as terceirizações desarticulam um processo de desenvolvimento
estrutural, bem como a desvalorização de estudantes como seres indiferentes no
contexto universitário, sem o reforço da ação social nos próprios espaços e
tratam de reduzir o discente a meros instrumentos econômicos, multinacionais,
governamentais de demandas até mesmo eleitoreiras (Diga-se Waldir Maranhão e o
seu PQD – Programa de qualificação docente e hoje Darcy Ribeiro onde há relatos
em que o discente fora coagido a votar no “Grupo da Situação”). Pois veja: não
há comunidade acadêmica se os funcionários não se sentem da comunidade, mas sim
de uma empresa terceirizada onde estes se tornam reféns de seus empregos e por
isso se calam. Os discentes não alcançam uma verdadeira crítica sobre o espaço,
sobre a sociedade ou ainda aqui aprendem que o melhor é manter silêncio, onde
vemos um estudante irreconhecível e um profissional desacreditado do próprio
estado social. O que dizer do peso do voto do estudante nas eleições para
Reitorado que é de apenas 1/3 (um terço)? Ou ainda como falar de assistência
estudantil como alojamento no campus, jantar universitário ou auxílio à creche.
Furter,
1987, p. 17 esclarece que: “a administração da educação é muito mais uma
sistematização de técnicas do que uma reflexão sobre o papel do homem no
aparelho administrativo”. Ele ainda pondera que a administração escolar não
poderá se reduzir “a planos e projetos, mas prevê condições de sua realização”.
E, em minha opinião, cotizar R$ 500,00 (quinhentos reais) em despesas gerais
para uma demanda desproporcional de alunos em congressos e eventos fora do Estado gera
diminuição dessas condições. Segundo este autor, as decisões administrativas
implicam “opções, decisões, críticas contínuas que levantam sérios problemas
éticos”. Esta administração não deverá servir apenas como arma de controle do
subjetivo individual e complexo do ser.
Mas
a problemática da gestão, participação e planejamento de uma IES ultrapassam
questões de modernização e relações éticas. “Poder-se-á perguntar até que ponto
a burocracia também não será ligada a uma falsa colocação das relações entre o
poder e os seus meios de ação” – (FURTER, 1987, p. 18), ou seja, a influência do
estado e as forças que as medeiam. Estamos num Estado em que a comunicação
humana e seus enlaces acabam por nos elencar de seres responsáveis para seres
utilizáveis, incapazes de fazer algo pela IES enquanto espaço e muito menos
pela prática social enquanto profissional.
Muitos,
mesmo sem perceber, acabam sempre perdidos em dúvidas e rendição. Engolidos por
demandas, exigências e prazos, o término de um curso, um ciclo e o medo do
atraso irracional. Uma subjetividade ignorada, um ser atropelado, sem tempo,
engolido numa burocracia que não dará condições de liberdade às demandas
educacionais.
Johnny Sorato M. Fernandes– Ciências Biológicas, Ativista
do C.A.J.U. (Coletivo alternativo da UEMA)
Referência:
Furter,
Pierre. Educação e reflexão. 16ª Ed.
Rio de Janeiro: Vozes, 1987. (Educação e Tempo Presente)
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