quarta-feira, 8 de maio de 2013

“Quando um estudante chorou”




Assim como Jesus Cristo não era Cristão, Karl Marx também não era Marxista. Explicar a sociedade e as subjetividades do indivíduo através de uma postura para daí chamá-la face, identidade de um ser é “reduzi-la a simples aceitação de uma coação” (FURTER, 1987). O homem não é apenas determinação de uma economia ou de uma espiritualidade.
Em critérios de sociologia precisamos estar atentos às ações coletivas e aos determinantes destes grupos, como no caso das regras e dos padrões culturais, religiosos, etc. Porém, atualmente, precisamos identificar a postura de um indivíduo dinâmico na máquina social. Daí há precisamente no objeto de estudo da sociologia a interação deste sujeito com o outro e com esse comportamento de coação, nivelador do ser coletivo que se depara coma temporalidade e regionalidade das razões assim expressadas, “um ser único coagido numa dimensão temporal, circunstancial” – (FURTER, 1987, p. 14).
No contexto universitário uma planificação de programas e metas de ações para o outro (planejamento dos gestores para comunidade acadêmica) visa o desenvolvimento eficiente desta IES (Instituição de Ensino Superior) que, por sua vez, necessita de intervenção constante do outro. E é este “outro” o fator determinante na busca de um melhor desenvolvimento do complexo institucional. (veja Educação e Reflexão). Por isso a participação da comunidade deverá alcançar padrões verdadeiramente coletivos onde o papel da intersubjetividade e da comunicação alcance uma demanda temporal, isto é, o poder de visão e previsão dos fatos a partir do individuo.
Nesta perspectiva as terceirizações desarticulam um processo de desenvolvimento estrutural, bem como a desvalorização de estudantes como seres indiferentes no contexto universitário, sem o reforço da ação social nos próprios espaços e tratam de reduzir o discente a meros instrumentos econômicos, multinacionais, governamentais de demandas até mesmo eleitoreiras (Diga-se Waldir Maranhão e o seu PQD – Programa de qualificação docente e hoje Darcy Ribeiro onde há relatos em que o discente fora coagido a votar no “Grupo da Situação”). Pois veja: não há comunidade acadêmica se os funcionários não se sentem da comunidade, mas sim de uma empresa terceirizada onde estes se tornam reféns de seus empregos e por isso se calam. Os discentes não alcançam uma verdadeira crítica sobre o espaço, sobre a sociedade ou ainda aqui aprendem que o melhor é manter silêncio, onde vemos um estudante irreconhecível e um profissional desacreditado do próprio estado social. O que dizer do peso do voto do estudante nas eleições para Reitorado que é de apenas 1/3 (um terço)? Ou ainda como falar de assistência estudantil como alojamento no campus, jantar universitário ou auxílio à creche.
Furter, 1987, p. 17 esclarece que: “a administração da educação é muito mais uma sistematização de técnicas do que uma reflexão sobre o papel do homem no aparelho administrativo”. Ele ainda pondera que a administração escolar não poderá se reduzir “a planos e projetos, mas prevê condições de sua realização”. E, em minha opinião, cotizar R$ 500,00 (quinhentos reais) em despesas gerais para uma demanda desproporcional de alunos em congressos e eventos fora do Estado gera diminuição dessas condições. Segundo este autor, as decisões administrativas implicam “opções, decisões, críticas contínuas que levantam sérios problemas éticos”. Esta administração não deverá servir apenas como arma de controle do subjetivo individual e complexo do ser.
Mas a problemática da gestão, participação e planejamento de uma IES ultrapassam questões de modernização e relações éticas. “Poder-se-á perguntar até que ponto a burocracia também não será ligada a uma falsa colocação das relações entre o poder e os seus meios de ação” – (FURTER, 1987, p. 18), ou seja, a influência do estado e as forças que as medeiam. Estamos num Estado em que a comunicação humana e seus enlaces acabam por nos elencar de seres responsáveis para seres utilizáveis, incapazes de fazer algo pela IES enquanto espaço e muito menos pela prática social enquanto profissional.
Muitos, mesmo sem perceber, acabam sempre perdidos em dúvidas e rendição. Engolidos por demandas, exigências e prazos, o término de um curso, um ciclo e o medo do atraso irracional. Uma subjetividade ignorada, um ser atropelado, sem tempo, engolido numa burocracia que não dará condições de liberdade às demandas educacionais.



Johnny Sorato M. Fernandes– Ciências Biológicas, Ativista do C.A.J.U. (Coletivo alternativo da UEMA)

Referência:
Furter, Pierre. Educação e reflexão. 16ª Ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1987. (Educação e Tempo Presente)

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