quinta-feira, 2 de outubro de 2014

“A VIDA DEPOIS DOS TRILHOS” – BY - JOHNNY




No DCE tem uma mascote e o nome dela é “Pretinha”. Ela é a segunda mascote do DCE, antes dela veio “Branquinha”, uma cadela muito esperta. Pretinha já tem mais de um mês e já é muito esperta, dá saltos nos pés dos estudantes e está aprendendo a latir. Eu acho que ela já reconhece as pessoas que mais ficam com ela. Porque ela faz aqueles olhinhos que os filhotes de cachorro fazem e até dorme no colo da gente. Ela é muito preguiçosa passa o dia inteiro dormindo e mamando na mãe.
Pretinha foi encontrada pelo meu peixe Elias que avisou, eu e Alan que havia uma cadela com seu filhote presos numa vala do prédio da Biologia. Decidimos ir à sua procura, foi numa noite daquelas em que a UEMA estava vazia eram nove horas. E eu conversava com Alan que certas coisas ninguém pode fazer por nós, quando olhamos... a lua! Daí eu falei: “Olha aquela lanterna vai nos ajudar a achar pretinha (nós já a tínhamos batizado). “Qual lanterna”?” – ele perguntou. “Ali, ali em cima, a lua”. Então quando chegamos lá vimos que a vala estava escura e parecia ter um metro e meio de profundidade, procuramos por toda a sua extensão, assoviamos mas nada se viu. Ela parecia não está lá. Foi só nos dias seguinte que Elias junto com Alan foram na busca de pretinha e acabaram achando. Elias ama os cães e não gosta de ver nenhum animal abandonado, principalmente os pequenos e indefesos, já Alan também gosta de cães pena que torce pro time do São Paulo... Eles levaram Pretinha para o DCE e foi lá que ela recebeu todos os cuidados. A filhotinha estava magra cheia de piolhos e carrapatos e a mãe que também veio parecia falar “Deus é grande, ainda bem que vocês existem”. Pretinha tinha só vinte dias e por isso nem enxergar direito sabia. Depois daí as pessoas que vinham no DCE começaram a conhecer pretinha e querer adotá-la. Mas ninguém teve coragem de deixá-la ir. O pequizeiro que antes fazia sombra nos tablados (palcos de madeira) já estava quase sem folhas, não chovia fazia algum tempo, um cenário nordestino para Vangoh e sua cores pardacentas. Pretinha não vivia dias fáceis, pois com o DCE sem gestão a organização estudantil não poderia acontecer para ajudá-la. Neste caso, poderíamos cobrar uma política de manutenção para esses cães abandonados no campus. Ou pelo menos que pudéssemos escrever naqueles muros brancos do campus “Não Abandone seus Cães, isso é um crime!”. Eu sei bem o que é isso, pois vivi experiência parecida, passei esse mês por lá, e não vi nenhuma assistência estudantil acontecendo (e olha que cobro isso há muito tempo). Aliás, meu sonho antes de morrer é ver a UEMA com passarelas cobertas pra que ninguém mais se queime tanto pelo sol e de ver uma republica dentro da UEMA. Pois é, dentre muitas questões estava eu numa noite, sozinho junto com pretinha no meu colchão quando de repente sai àquela urina quente... Agora só me resta trocar a colcha. Mas apesar disso foi legal ter pretinha ali, ter dado seu primeiro banho junto com Osana com shampoo e tudo e no segundo banho foi até filmada com direito a talco...

E pretinha ia assim arrancado corações de todos que a vissem e agora então que ela tá linda, correndo feita cachorra grande. Às vezes ela até pensa: “O que será que existe ali depois dos trilhos”. Pretinha se referia aos velhos trilhos do bondinho que um dia passou por lá. Os pensamentos de pretinha são bem assim como os de alguns que olham pro DCE e se perguntam o que será que existe do lado de cá? Ou então já tem mesmo é o preconceito formado. E então querem conhecer pretinha? É só atravessar os trilhos.

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